Pipocas com Caramelo Salgado


O primeiro filme em que chorei foi o "Eduardo Mãos de Tesoura", há muitos anos. Foi nesse dia que percebi que os filmes contam histórias, transmitem emoções e facilmente entramos pelas imagens dentro. Era eu pequena e já adorava ver filmes, não só de animação. Comecei logo a fazer associações com o que ouvia e lia nas legendas e com a língua inglesa e mais tarde na escola, foi mesmo muito fácil aprender o inglês.
O último filme que me emocionei e que revi foi o "Mar Adentro".
Embora não vá ao cinema há imenso tempo, vou muitas vezes ao cinema em casa. E de preferência com pipocas e boa companhia ao lado!

Há filmes que vão ficar para sempre gravados, como o "Fabuloso Destino de Amélie", ou o "Lost in Translation" e até as suas bandas sonoras percorrem muitos dos meus dias. A música aliada ao cinema, recorda-me logo o "24 Hour Party People" e os New Order e os Joy Division.
Depois há cinema espanhol e francês que adoro, e nomes como Almodóvar, Tim Burton, David Lynch, Tarantino, Iñarritu, Gondry, Woody Allen e tantos outros que me fascinam nesta arte.
Na última maratona de cinema em casa, adorei ver o "Exótico Hotel Marigold", o "Ondine", o"Dallas Buyers Club", "Blue Jasmine" e mais uns quantos. Foi mesmo uma maratona, andava a precisar de uns dias assim ao domingo, filmes e pipocas, descanso e deixar a veterinária de lado por algumas horas.



Estas pipocas com caramelo salgado são maravilhosas. Acho que nos próximos sábados à noite e domingos de filmes vão ser a nossa companhia, muitas vezes. A receita está neste livro do Ramsay, e assim que o vi a prepará-las no seu programa de televisão, sabia que só podiam ser mesmo boas. As receitas dele não falham, e apesar de eu não morrer de amores pelo feitio deste chef, duma coisa gosto muito, as receitas dele são muito boas. E estas pipocas são viciantes, são mesmo! 

A primeira vez que fiz esta receita, a minha avó animou-se toda, ao ver as pipocas a saltar na panela. Lembram-nos sempre o avô. Falámos dele enquanto petiscavamos as pipocas ainda sem o caramelo. Desde pequena que me lembro de ver os meus avós comerem pipocas, e até para a praia levavamos um saquinho delas para partilhar com todos. O meu avô chamava-lhes "freiras", e sei que ele teria adorado provar estas. No filme da minha vida, só cá faltou ele para as comer na nossa companhia.




Pipocas com Caramelo Salgado
(do livro Ultimate Home Cooking, de Gordon Ramsay)

100 gr de milho para pipoca
200 gr de açúcar demerara
1 colher (chá) de sal
25 gr de manteiga
1/2 colher (chá) de bicarbonato de sódio
óleo vegetal q.b.


Preparação

Num tacho com tampa, colocar um fio de óleo e o milho. Levar a lume bem quente, tapar e assim que começarem a estalar, abanar a panela até o barulho parár. Descartar algum milho que não tenha rebentado e colocar as pipocas num recipiente largo.
Numa panela colocar o açúcar e o sal e levar a lume médio, deixando caramelizar, e ir abanando a panela em vez de mexer o caramelo, até ficar dourado. Juntar a manteiga em pedacinhos e mexer bem até derreter (uns 30 segundos). Baixar o lume e adicionar o bicarbonato de sódio, deixando borbulhar e mexendo até ficar homogéneo (é muito rápido), retirando imediatamente do lume e juntando o caramelo às pipocas, envolvendo muito bem.
Espalhar as pipocas num tabuleiro grande (usei papel vegetal antiaderente), e deixar arrefecer e solidificar à temperatura ambiente.
Depois quebrar os aglomerados de pipocas com um garfo ou com as mãos, e saborear no próprio dia.

Nota: Cuidado ao adicionar a manteiga, com os salpicos de caramelo quente! Quando adicionei o bicarbonato de sódio, não borbulhou como era suposto, mas ficou imediatamente com o aspecto homogéneo que vi no programa e resultou bem.

Bom Apetite!



Crumble de Pêra e Five-Spice


Os dias começam a cheirar a Primavera, assim ao de leve. Já são mais compridos, e o sol aparece mais vezes. À hora de almoço sabe tão bem esse sol. Por aí pelos caminhos, tudo se torna mais verde, e começam a aparecer as primeiras flores. Pela manhã ouvem-se passarinhos à janela. As meias duplas já deram lugar a um só par de meias. E as luvas começam a ficar em casa.
Mas quando anoitece arrefece, e adoro chegar a casa e o forno a lenha estar aceso à minha espera. É reconfortante. Ainda se pegam nas mantas e se faz um chá quente ou uma cevada que fumega e aquece o corpo e a alma.

Em dias assim, com forno a lenha aceso, apetece uma sobremesa quente. Que saia do forno e vá directa para a mesa. Os crumbles são das sobremesas mais apreciadas, pela sua textura, crocante no topo amaciada pela fruta e molho. Fruta que vai rodando com a estação do ano.
Uma tigela com crumble morno servido com iogurte natural ou gelado, é das coisas mais simples e ao mesmo tempo maravilhosa. 
Quando a querida Teresa do Lume Brando me enviou um frasquinho de mistura de cinco especiarias chinesa (five-spice), foi um perfumar de sentidos. Ela que tanto me inspira em cada receita, e desperta a vontade de fazer sobremesas, só podia ser esse um dos caminhos que as especiarias iriam tomar.



Habitualmente esta mistura de especiarias ("five-spice") contém como base, estrela de anis, sementes de funcho, canela, cravinho e pimenta, podendo ainda conter gengibre e cardamomo, ou até coentros e alcaçuz. É mais utilizada em pratos salgados e para temperar carnes. Mas eu assim que abri o frasquinho, vieram memórias de arroz doce ao olfacto, e fiquei com vontade de a usar em algo doce.
Este crumble vem deste livro, que inspira a boas receitas. Comida verdadeira, que sabe bem e faz bem. Saudável e nutritiva. 
Esta receita combina as pêras de inverno com o 5-spice de forma bastante agradável. A cobertura de amêndoa é deliciosa. E a receita é gluten free e sugar free. 
Sentir o seu aroma ao sair do forno é mesmo bom, nestas noites ainda frias.




Crumble de Pêra e Five-Spice
(do livro Hemsley Hemsley, the Art of Eating Well)

para o crumble:
40 gr de manteiga (ou óleo de coco)
125 gr de amêndoa moída
1 colher (sopa) de maple syrup
40 gr de amêndoas laminadas

para as pêras:
4 pêras grandes cortadas em quadradinhos
1 colher (sopa) de água
1 colher (chá) de five-spice 
1 colher (sopa) de maple syrup
1/2 colher (chá) de raspa de laranja

para servir:
iogurte natural ou créme fraiche


Preparação

Numa taça colocar os ingredientes do crumble (excepto as amêndoas laminadas), e com as pontas dos dedos começar a massajar até formar um género de areia grossa. Juntar as amêndoas laminadas e incorporar na mistura.
Colocar a mistura no frio, enquanto preparar as pêras. E pré-aquecer o forno a 180ºC.
Num tacho colocar as pêras em pedacinhos e juntar a água e a mistura de especiarias. Envolver bem, colocar ao lume e tapar, deixando cozinhar por uns 5 a 10 minutos, dependendo da textura da pêra e do tamanho dos pedaços (eu cortei em cubinhos pequenos e achei 5 minutos suficiente). As pêras devem manter textura apesar de ligeiramente cozinhadas e amaciadas.
Fora do lume adicionar a raspa de laranja e colocar a mistura das pêras num tabuleiro pequeno com 20cm de largura.
Por cima das pêras colocar o crumble, sem ser necessário pressionar. Levar ao forno por 25 minutos ou até dourar.
Servir ainda morno com iogurte natural ou créme fraiche.

Bom Apetite!






Cookies com Pepitas de Chocolate



O tempo podia parar de vez em quando. Congelar uns dias, e guardá-los só para nós. Para fazermos tudo aquilo que nunca temos tempo, durante os dias que passam a correr e o cansaço se acumula.
Vamos parar o tempo, por breves momentos. Aproveitar as horas de sol, e calçar as luvas, aconchegar o corpo e o cachecol e fazer uma caminhada numa zona por onde não passamos há tempos e adoramos. Cumprimentamos quem passa por nós, com um bom dia e um sorriso. Aproveitamos para tirar fotografias, para olhar à nossa volta, a natureza começa a aquecer aos poucos, na procura da primavera. Passamos pelo mercado para sentir os cheiros e as cores e levá-los connosco para casa. Preparamos aquela refeição que marcámos num dos livros por estrear. Passamos tempo na cozinha, e em volta da mesa, e partilhamos essa refeição com quem mais gostamos. Aproveitamos o sofá e as mantas e vemos um filme novo, no quentinho e com os gatos. Preparamos um lanche daqueles com panquecas e chocolate quente. E se há pedidos para cookies com pepitas de chocolate, vamos meter a mão na massa. Enquanto a massa das bolachas repousa, vamos ver o mar, caminhando de mãos dadas.

Nada de surreal, apenas coisas simples, triviais, que nos deixam felizes. Fazer pequenas coisas que nem sempre podemos, dizer coisas que às vezes nos esquecemos. Não precisamos que o tempo congele para ir dar a volta ao mundo (se bem que às vezes apetece partir até outras paragens), nem para construir uma vida nova (apesar de cada vez pensarmos mais nisso). Basta um pedacinho dele, estarmos bem e estarmos juntos. E se ele gosta tanto destas cookies deste livro inspirador, com chocolate em pedaços meio derretidos, o sal a avivar todos os sabores, e um toque de manjericão a perfumar, saem fornadas delas nesse tempo que se congela. Vamos parar nesse tempo. Vamos comer bolachas com chocolate.





Cookies com Pepitas de Chocolate
(receita adaptada do livro "Top with Cinnamon" de Izy Hossack)

125 gr de manteiga
1 colher de chá de manjericão canela 'Amor à Terra'
125 gr farinha trigo
85 gr de farinha espelta
3/4 colher (chá) de fermento
3/4 colher (chá) de bicarbonato de sódio
100 gr de açúcar
100 gr de açúcar mascavado claro
1 ovo batido
200 gr chocolate negro (70%) em pedacinhos
flor de sal q.b. para salpicar


Preparação

Juntar o manjericão e a manteiga numa panela pequena e deixar derreter, mexendo até ferver. Deixar ferver a manteiga até formar uma espuma e começar a escurecer ligeiramente, sem deixar queimar, mexendo sempre. Retirar do lume, deixar arrefecer por 10 minutos e coar a manteiga de forma a descartar o manjericão.
Numa taça colocar as farinhas, fermento, bicarbonato e açúcares e mexer bem. Adicionar a manteiga e mexer bem, juntando depois o ovo e amassando. Se notar a massa demasiado seca, adicione uma colher de sopa de água.
Adicionar o chocolate picado à massa e envolver bem, amassando com as mãos para a massa ficar bem ligada. Formar bolinhas do tamanho de uma noz e colocar em tabuleiros forrados com papel vegetal antiaderente. Cobrir com película aderente e levar ao frio no mínimo por uma hora.
Retirar do frio e separar bem as bolinhas, 7,5cm entre cada, nos tabuleiros, elas vão crescer imenso durante a cozedura. É importante manter o formato de bolinha e não achatar.
Levar ao forno pré-aquecido a 200ºC, salpicadas com um pouco de flor de sal. O tempo de cozedura varia entre 10-15 minutos, dependendo do forno, mas o ideal é ficarem douradas e com o centro ainda mole e a borbulhar (depois de frias endurecem).
Retirar do tabuleiro com cuidado e deixar arrefecer antes de colocar num frasco ou comer.

Bom Apetite!

Nota: o manjericão pode ser opcional, se preferirem é só omitir. Na receita original a autora utiliza manjericão fresco, mas eu preferi usar esta variedade seca de manjericão canela do projecto 'Amor à Terra'. Um projecto lindo, produtos naturais da Arrábida, onde o tempo e a terra são valorizados e há harmonia com a natureza e as estações. O toque diferente que dá às cookies é fantástico.