Quinoa e Kale com Granola Salgada


Este ano provei pela primeira vez a couve kale. A couve da moda que está cheia de benefícios. É raro encontrar legumes biológicos menos comuns à venda, aqui na zona, mas tenho a sorte de receber um cabaz biológico em casa com grande variedade de legumes, e foi nele que veio a kale! No cabaz da Dona Rosa para além da kale veio uma vez cavolo nero, a kale toscana. Ambas deliciosas.
É um prazer comer kale nas sopas, nos estufados ricos de legumes, em chips no forno (é viciante acreditem) e em saladas.

Na hora de escolher refeições para os dias da semana dou preferência a pratos simples, saudáveis, cheios de cor e variedade. Há sempre sopa que comemos todos os dias, saladas, algumas vezes os ovos caseiros fazem milagres, e vamos variando entre pratos de peixe ou carne branca sempre com verdes a acompanhar, e cada vez mais pratos vegetarianos. É um prazer variar e preparar refeições que apesar de simples, nos sabem tão bem. E sem carne.
Como esta salada morna, com quinoa, cogumelos e kale. E com outro grande vício, a granola salgada, que fica tão boa salpicada em saladas e sopas, adoro!

Esta receita vem de um livro que gosto mesmo muito, o Bowls Of Goodness, super inspirador e lindo, com receitas vegetarianas que apetecem mesmo fazer e comer. Está no capítulo das manhãs e pequenos-almoços mas eu prefiro servir como um almoço. Por cá estou rendida à kale e à granola salgada. E é um prazer comer refeições diferentes, mesmo que sejam bem simples. A simplicidade realça os sabores, valoriza cada ingrediente usado. É um prazer de comer.










Salada de Quinoa e Kale com Granola Salgada
(adaptada do livro "Bowls of Goodness" de Nina Olsson) - serve 4

150 gr de quinoa branca
150 gr de couve kale 
azeite q.b.
sal q.b.
250 gr de cogumelos frescos variados
2 dentes de alho picados
3-4 cebolinhas de rama

Granola Salgada:
azeite q.b.
100 gr de flocos de aveia
50 gr de sementes de abóbora
50 gr de sementes de sésamo e girassol
50 gr de amêndoas
50 gr de amendoins
1 colher (sopa) rasa de tomilho e oregãos secos
pitada de piripiri moído
sal q.b.

Para servir:
tomate cherry
requeijão


Preparação

Para preparar a granola salgada, colocar um fio de azeite numa sertã ou frigideira e deixar aquecer. Juntar a aveia, sementes, amêndoa e amendoins e saltear por uns 5 minutos, até fragrante. Adicionar as ervas, o piripiri e sal, envolver e retirar do lume.
Lavar bem a quinoa e cozer. Lavar bem a kale, escolher as folhas e rasgar em pedaços.
Aquecer um fio de azeite numa sertã grande e juntar o alho picado e os cogumelos inteiros ou fatiados (conforme o tamanho). Deixar cozinhar por uns 5 minutos, mexendo com alguma frequência. Em seguida juntar as cebolinhas de rama fatiadas finamente e a couve kale, temperar com sal e deixar cozinhar mais uns minutos até a couve quebrar um pouco. 
Misturar a quinoa cozida com a mistura de kale e cogumelos e servir em taças. Salpicar com a granola salgada e servir com tomate cherry cortado e um pouco de requeijão.

Bom Apetite!




Um Ceviche e uma Exposição de Fotografia



Os dias primaveris e as coisas frescas para comer à mesa. É tempo de pratos mais leves e cheios de vida e cor. É tempo de comer morangos e saboreá-los num ceviche. Adoro ceviche! Faz-me logo pensar em dias de sol, quentes e em mesas coloridas e prontas a petiscar. O Verão quase a chegar e os dias de sandálias nos pés, areia e mar, e comer lá fora. 
A receita deste ceviche é inspirada no livro "Cru" da Inês Simas, ao qual juntei a salicórnia. Pensar que sempre tive salicórnia aqui tão perto de casa e só há uns dois anos me comecei a interessar por ela. Fica deliciosa em pratos de peixe, com ovos, risottos, saladas. Esta que vêem no prato foi apanhada nas salinas da Figueira, do solo para a mesa.

A ideia deste prato surgiu depois de um convite bem especial. Uma exposição de fotografia, com a salicórnia como tema. Mais um desafio lançado, desta vez pela querida Guida Cândido do Arquivo Fotográfico Municipal da Figueira da Foz. 
Adorei a ideia, a salicórnia em fotos, em receitas, na mesa, no meu prato. Cheia de verde, de expressividade e textura.
O evento "À Beira Sal Plantada, a Salicórnia Amada" decorre este Maio na Figueira da Foz, entre o Mercado e o Museu do Sal, com showcookings, degustações, conversas e a minha exposição de fotografia "Verde Sal".

Resta-me agradecer o convite, é sempre tão bom ver como a minha cidade me apoia e acarinha. É sempre gratificante partilhar as minhas fotografias. Fotografar e criar os meus cenários, as minhas mesas. Muito grata por tudo. Por estes momentos em que sorrio mais alto, e me permito sonhar. Em que os sentimentos e as palavras se captam através de uma lente, e se formam imagens que contam histórias de cá e de mim.
A abertura da minha exposição é já esta semana, dia 5 de Maio, no Mercado Municipal da Figueira. 
Fica a receita deste maravilhoso e fresco ceviche com salicórnia, para vos abrir o apetite.
Espero por vocês na minha cidade.







Ceviche de Salmão com Morangos e Salicórnia

300 gr de salmão fresco
sumo de 3 limas
sumo de 1/2 limão
1 colher (chá) de flor de sal
2 colheres (sopa) de leite de coco
1 colher (chá) de mel
azeite q.b.
4 folhas de hortelã (mais para finalizar)
8 morangos (mais para finalizar)
1/4 cebola roxa 
50 gr de salicórnia fresca


Preparação

Limpar as peles e espinhas do salmão e cortar em cubos de 3 x 2 cm. Regar com o sumo das limas e limão e temperar com a flor de sal. Reservar durante 15 minutos, deixando assim os citrinos "cozinharem" o salmão. 
Misturar o leite de coco com o mel até se dissolver.
Cortar os morangos em quartos ou cubos, picar a hortelã e metade da cebola roxa (a outra metade fatiar finamente e reservar para finalizar). Lavar bem a salicórnia e picar ligeiramente (eu prefiro manter inteira para sentir toda a textura).
Envolver tudo no salmão e regar com um fio de azeite.
Colocar em pratos e enfeitar com mais cubos de morango, folhas de hortelã, a cebola fatiada finamente e um fio de azeite. Está pronto a servir. 
(serve 4)

Bom Apetite!




'Verde Sal', por Maria Inês Mendes
Mercado Municipal Eng. Silva, Figueira da Foz
Datas: 5 de Maio até Junho 2017
Entrada Gratuita


Hot Cross Buns



Este post segue todas as palavras do anterior. Do conforto de ligar o forno e fazer um pão doce. De todas as memórias e afectos que se cruzam na minha cozinha e no que gosto de cozinhar e comer. Do preparar uma receita a pensar na Páscoa, ou somente porque sim, porque é essa a vontade. Porque gostamos tanto de massas lêvedas e doces. Vale a pena repetir tudo o que escrevi e seguir a mesma linha de receitas.

Em casa andam a pedir para cozer um folar simples ou algarvio, em camadas. Confesso que adoro ambos e vou ver se no domingo temos um deles na nossa mesa. Sei que a minha avó vai ficar feliz, e enquanto a posso fazer sorrir com estas pequeninas coisas, acreditem que o faço. Quis no entanto experimentar uma receita nova, os Hot Cross Buns. Andei a ver os livros de culinária nas estantes e acabei por me inspirar na receita da Donna Hay, que gosto tanto. 

Desta vez amassei a massa à mão, não usei a batedeira eléctrica. Quis que fosse toda a magia desde o início ao fim do processo. Escolher a receita, preparar os ingredientes, amassar com as minhas mãos (é mesmo uma terapia), ver crescer a massa levedada, e levar ao forno na minha assadeira preferida da Staub. Desde que a tenho, não há bolo, tarte ou pão que se queime (quem me conhece sabe bem que o meu forno é temperamental, com gás de botija e difícil de regular e por isso ando nas nuvens). 
Gosto do toque da laranja com o chocolate, por isso segui esse caminho para esta receita. Preparem o chá, juntem-se à mesa e vamos provar estes pãezinhos doces. Boa Páscoa!








Hot Cross Buns
(adaptada do livro Modern Classics 2, de Donna Hay)

2 colheres (chá) de fermento de padeiro seco
1/2 chávena de açúcar
1 + 1/2 chávena de leite morno
4 + 1/4 chávena de farinha trigo sem fermento
2 colheres (chá) de canela em pó Margão
raspa de 1 laranja
1/2 colher (chá) de sal
50 gr de manteiga derretida
1 ovo batido
1/2 chávena de arandos secos (ou passas)
1/2 chávena de pepitas de chocolate negro

para os riscos:
1/2 chávena de farinha de trigo sem fermento
1/3 chávena de água

para a cobertura brilhante:
2 colheres (sopa) de geleia
1 colher (sopa) de água 


Preparação

Numa taça pequena colocar o fermento, 2 colheres de sopa do açúcar e o leite todo e deixar por 5 minutos até que comece a fazer espuma.
Noutra taça grande colocar a farinha, canela, raspa de laranja, sal, restante açúcar e misturar com uma colher de pau. Abrir um buraco no centro e colocar o ovo, a manteiga e a mistura do leite, começando a envolver tudo. 
Passar esta mistura para uma mesa enfarinhada e começar a amassar com as mãos (em alternativa poderá usar a batedeira com o gancho da massa) tendo o cuidado de não juntar muito mais farinha, apenas nas mãos para ser mais fácil de trabalhar. Amassar durante uns 8 minutos. Depois abrir a massa e juntar os arandos e as pepitas, fechar e amassar para incorporar.
Deixar a massa levedar num sítio quente, tapada com um pano, por uma hora ou até dobrar o volume. 
Dividir a massa em 12 pedaços e formar bolinhas. Colocar as bolinhas numa assadeira grande ligeiramente untada e com papel vegetal. Deixar levedar por mais 30 minutos.
Pré-aquecer o forno a 180ºC. 
Preparar a mistura para fazer os riscos, misturando a farinha com a água até ficar uma massa uniforme. Colocar num saco de pasteleiro e desenhar os riscos em forma de cruz no topo das bolinhas. 
Levar ao forno até cozer, por uns 40 minutos. Retirar do forno.
Aquecer a geleia com a água, só para misturar, e pincelar o topo dos buns, ainda quentes.

Bom Apetite!