Porridge de Forno com Maçã e Canela



Nunca tinha comido papas de aveia até há uns dois anos atrás, acreditam? Não fizeram parte da minha infância, nem dos meus pequenos-almoços.
Hoje em dia sou uma pessoa que adora comer, comer bem, de forma saudável a maioria dos dias e outras vezes petiscar até mais não. De facto pecar é delicioso mas só de forma pontual. Ficam os fins-de-semana guardados para esses devaneios.

Mas nem sempre fui de "boa boca" como diz a minha avó. Em pequenina era um "pisco" a comer. Não aceitava comida e era sempre uma complicação fazer-me comer. Diz a minha avó que havia dias que os meus pais se fartavam e era ela que me tentava alimentar a bem. Havia música feita com panelas e tachos para me entreter na hora de comer. O que é certo é que acabava por comer! Mas era preciso alguma paciência. Disto não tenho memória. Só do que me contam.

Também dos pequenos-almoços em pequenina, não me lembro de muito. Sei que detestava leite e sei que os meus pais nunca me obrigaram a beber. Mas recordo-me do cheiro dele quente na cantina do jardim escola, e do tormento que era senti-lo. Sei que havia sempre torradas e fruta, iogurtes e cereais muesli dos bons na mesa, e de aos sábados e domingos ser mais tardio e com direito a mais coisas, mais demorado, e com todos sentados à mesa. 

Não sei precisar quando me tornei de "boa boca" mas lembro-me perfeitamente de refeições pela manhã que me sabiam mesmo bem. De gostar de comer de tudo à mesa. E do que não gostava, bem, ou comia ou não comia, não havia cá fazer prato especial ou diferente para quem não gosta disto ou daquilo. Sem ser obrigada fui acabando por gostar de tudo um pouco, de comer sempre legumes e sopa a todas as refeições e fruta. Aproveitando sempre o que vem da horta e do pomar.



Falando ainda no pequeno-almoço, trago-vos esta receita de papas de aveia ou porridge, feitas no forno. Especialmente para o fim de semana ou dias de folga. Para fazer e saborear com calma.
O facto de ser feito no forno e com maçã e canela remete logo para o Outono, adoro esta combinação para manhãs mais frescas e fica perfeito servido num brunch ou mesmo ao lanche.
Não resisti a provar esta receita inspirada num livro que adoro, o "The Oh She Glows Cookbook", um livro vegan onde apetece fazer e comer quase tudo.
Gosto quando isso acontece, um livro inspirar-me a cozinhar mais e de forma diferente do habitual, com menos carne, e de forma saudável.
E adoro papas de aveia ao pequeno-almoço. Desde que as comecei a fazer, que continuo. Umas vezes de maneira bem mais simples, no dia-a.dia, e variando conforme a fruta da época. Mas desta vez foi para servir a todos à mesa, com tempo e com "boa boca".




Porridge de Forno com Maçã e Canela
(adaptado de "Oh She Glows Cookbook", de Angela Liddon)

2 chávenas de flocos de aveia
2 colheres (sopa) de açúcar de coco
1 colher (chá) bem cheia de canela em pó
1 colher (chá) de fermento
1/2 colher (chá) de gengibre em pó
1/2 colher (chá) de sal
2 chávenas de leite (amêndoa, aveia ou à escolha)
1/4 chávena de maple syrup
1/2 chávena de puré de maçã
2 maçãs descascadas e em cubos pequenos
nozes picadas q.b.


Preparação

Pré-aquecer o forno a 180ºC. Untar ligeiramente um tabuleiro de forno de tamanho médio.
Numa taça juntar a aveia com o açúcar de coco, a canela, o fermento, gengibre e sal, mexendo bem.
Noutra taça misturar o leite com o maple e o puré de maçã.
Juntar esta mistura do leite aos secos da aveia e misturar muito bem.
Adicionar a maçã em pedacinhos e envolver na mistura.
Colocar no tabuleiro e alisar a superfície. Salpicar com nozes picadas a gosto.
Levar ao forno por uns 25 minutos ou até a mistura estar consistente e a maçã tenra.
Servir morno ou frio, com iogurte ou creme de coco e um pouco de maple e canela.

Nota: para o puré de maçã usei maçã assada, da qual retirei a polpa e esmaguei até obter 1/2 chávena.

Bom Apetite!



 

Palmiers com Compota de Mirtilo



Dias de Outono misturados com Verão. Manga curta e sol. Sabe bem, depois da chuva. Saborear dias assim. No chão cada vez há mais folhas das árvores, espalhadas, mas por agora misturam-se com pés que ainda querem usar sandálias. Pelo menos por estes dias. 

Foi a pensar no Verão que me lembrei desta receita, que fiz por altura da Feira do Mirtilo. Os mirtilos eram muitos e não resisti a fazer uma compota para ir saboreando durante o verão, nos lanches e torradas, nas papas de aveia e nas tacinhas de pequeno-almoço.



Depois de fazer a compota, vi uns palmiers lindos numa passagem pelo Pinterest que me deixaram em modo de gula, e podem também ver os da Ana que ficaram lindos. É uma ideia gira e super fácil de preparar, com qualquer compota a gosto.

Perfeitos para dias de festa, ou somente porque sim. Massa folhada e compota são uma combinação das boas. Eu que adoro mirtilos, achei que era uma boa sugestão para usar a compota que fiz e saborear um pedacinho de verão num palmier pequenino.
O difícil é comer só um. Acreditem!




Compota de Mirtilo

650 gr gr de mirtilos frescos
350 gr de açúcar
1 pau de canela
sumo de 1/2 limão


Preparação

Num tacho colocar todos os ingredientes e levar ao lume mexendo até ferver. Manter em lume brando e ir mexendo ocasionalmente até cozer e os mirtilos começarem a derreter.
Passar a mistura com a varinha mágica (primeiro retirar o pau de canela) e levar novamente ao lume até atingir o ponto de estrada. Deixar arrefecer antes de colocar a compota em frascos esterelizados.
Conservar no frigorífico (devido ao baixo teor em açúcar).




Palmiers de Mirtilo

1 placa rectangular de massa folhada
compota de mirtilo q.b.


Preparação

Esticar a massa folhada e barrar com a compota em toda a superfície.
Enrolar desde cada extremidade até ao centro, formando dois tubos.
Cortar em fatias, obtendo o efeito palmier ao corte.
Colocar os palmiers num tabuleiro forrado com papel vegetal antiaderente e levar ao forno pré-aquecido a 200ºC até a massa folhar e dourar.

Bom Apetite!






Pão de Batata-Doce e Curgete



A minha primeira memória de pão na infância remete para a minha avó. Claro que já comia pão antes dessa memória, em torradas com manteiga pela manhã e com queijo ao lanche, mas o que mais me lembro são as noites de sexta-feira em que chegávamos a sua casa e a via amassar o pão.
Amassava o pão e a broa muito bem, a par da nossa vizinha, e era quase uma tradição fazer pão quando o forno a lenha estava aceso. 
E sentir o cheiro do pão acabado de fazer e caseiro, é algo que ainda me lembro bem, tão bem. Assim como o comer, ainda quente, ver o fumegar do miolo ao partir.
Das melhores coisas que podemos guardar nas memórias dos sentidos.

Para hoje, que se celebra mais um World Bread Day, comecei com esta memória. Do pão de outros tempos, feito em casa, pela minha avó. Ela já não tem forças para o amassar.
Mas sempre que chega a época do forno a lenha aceso, recordamo-nos desses tempos, e lá ponho eu as mãos na massa, ou a batedeira faz isso por mim, e cozemos mais um pão. Muitas vezes, bem diferente do habitual. Ainda me falta aprender muito na arte do pão, e tenho imensa vontade de fazer pães cada vez mais elaborados e distintos, mas nem sempre o tempo chega para tudo.



Andava indecisa em que pão fazer para esta data especial. Foi ao ver o livro novo da Mafalda Pinto Leite, que me decidi. Outono e batata-doce, combinam tão bem, como uma fatia deste pão com uma chávena de cevada bem quente. 
Estava escolhido o pão, e domingo passado foi o dia para o fazer e saborear. Em casa todos gostamos de um pão assim, bem fofo, que se come em jeito de bolo.
As Receitas da Mafalda, inspiraram-me assim para este dia do pão e para tantos outros, com receitas saudáveis, fáceis de preparar e deliciosas.
Muitas mais estão marcadas para fazer, pois gostamos de praticar uma alimentação saudável por regra, mas com margem para pecar.
Vamos lá fazer um pãozinho bom de batata-doce? Este mantém-se fofo por muitos dias. Fiz pequenas alterações, seguindo as sugestões. E foi fatia atrás de fatia.




Pão de Batata-Doce e Curgete
(adaptado do livro As Receitas da Mafalda, de Mafalda Pinto Leite)

2 chávenas de puré de batata-doce assada
3/4 chávena de curgete ralada com casca
2 colheres (sopa) de coco ralado
4 ovos batidos
2 colheres (sopa) de mel ou maple syrup
2 colheres (sopa) de azeite
1 chávena de farinha de trigo
1 chávena de farinha de espelta
2 colheres (chá) de fermento
1 pitada de sal
2 colheres (sopa) de pevides de abóbora


Preparação

Pré-aquecer o forno a 180ºC. Forrar uma forma de bolo inglês com papel vegetal antiaderente e reservar.
Numa taça colocar a polpa da batata-doce assada, a curgete ralada (e bem espremida), o coco ralado, os ovos, o mel/maple e o azeite. Misturar muito bem.
Juntar as farinhas, o fermento e o sal e incorporar bem.
Colocar a mistura na forma preparada, alisar a superfície da massa e espalhar as pevides de abóbora.
Levar ao forno até cozer (teste do palito), ou por uns 25-30 minutos.
Desenformar e deixar arrefecer ligeiramente antes de cortar.

Bom Apetite!